França mantém pena de 27 anos para ex-médico ruandês por cumplicidade no genocídio de 1994 – Correio da Kianda
O Tribunal de Apelações de Paris manteve a pena de 27 anos de prisão para o ex-médico ruandês Eugène Rwamucyo, de 67 anos, por seu papel no genocídio de 1994 contra os tutsis em Ruanda. Segundo uma fonte judicial citada pela imprensa local, a decisão foi confirmada entre sexta-feira e o sábado.
Rwamucyo foi novamente considerado culpado de cumplicidade em genocídio, cumplicidade em crimes contra a humanidade e de aderir a uma conspiração criminosa para preparar esses crimes. Ele foi, no entanto, absolvido das acusações diretas de genocídio e de crimes contra a humanidade.
O julgamento de apelação começou em Paris no dia 9 de Junho e durou seis semanas. Em outubro de 2024, Rwamucyo já havia sido condenado à mesma pena de 27 anos em primeira instância. Pela legislação francesa de jurisdição universal, ele ainda pode enfrentar prisão perpétua por crimes internacionais cometidos no exterior.
Rwamucyo, que cresceu numa família hutu, foi abordado por militantes anti-tutsi no final dos anos 1980, após regressar de estudos na Rússia, e passou a divulgar propaganda anti-tutsi.
Enquanto leccionava na universidade, ele também teria participado da execução de pacientes feridos e ajudado a enterrá-los em valas comuns “num último esforço para destruir evidências do genocídio”, com base em depoimentos de testemunhas.
A defesa nega todas as acusações. Os advogados do ex-médico afirmam que as acusações se baseiam na sua oposição ao actual governo ruandês.