Huambo: UNITA critica prioridades do OGE e MPLA responde com balanço de obras – Correio da Kianda
O debate em torno das prioridades do Orçamento Geral do Estado (OGE) voltou a marcar o cenário político na província do Huambo, com a UNITA a acusar o Executivo de negligenciar sectores essenciais para o desenvolvimento, enquanto o MPLA responde destacando investimentos em infra-estruturas, empregabilidade e concursos públicos.
Em declarações à Rádio Correio da Kianda, o secretário provincial da UNITA, Armando Kaquepa, afirmou que o desenvolvimento do Huambo não pode ser avaliado apenas pelas intervenções nas estradas nacionais 120 e 250, defendendo uma visão mais abrangente das necessidades da população.
Segundo o dirigente, várias vias secundárias e terciárias que ligam a sede provincial às comunas e municípios continuam degradadas, comprometendo a mobilidade e a actividade económica. Entre os exemplos apontados estão os acessos para Mundundo, Chiaca, Kacomao, Galanga, Bimbi, Luengue, Cambuengo e Samboto.
Kaquepa considerou que a falta de estradas dificulta o escoamento da produção agrícola e impede o crescimento das comunidades rurais. “A comunidade não tem como evacuar os seus produtos para a cidade. Não há estrada, não há nada”, lamentou.
O responsável da UNITA estendeu as críticas aos sectores da saúde e da educação, alegando que ainda existem crianças a estudar debaixo de árvores e em edifícios degradados, além da escassez de professores em várias localidades.
O político criticou igualmente a situação do emprego, referindo que muitos licenciados recorrem ao comércio informal e ao serviço de mototáxi para garantir o sustento, enquanto persistem vagas por preencher em áreas como a educação.
No plano político, Armando Kaquepa reafirmou que a UNITA não apoiará qualquer Orçamento Geral do Estado que, na óptica do partido, continue a reduzir o investimento na agricultura, saúde e educação. Para o dirigente, Angola dispõe de recursos financeiros suficientes, defendendo apenas uma redefinição das prioridades do Executivo.
Em resposta, o Director do Departamento de Informação e Propaganda do Comité Provincial do MPLA no Huambo rejeitou as acusações, afirmando que elas “não correspondem à verdade” e ignoram os investimentos actualmente em execução na província.
O responsável explicou que decorre o Programa de Melhoramento das Infra-estruturas Integradas, através do qual oito municípios beneficiam, pela primeira vez, de obras de asfaltagem no âmbito da nova Divisão Político-Administrativa.
Segundo o dirigente, os trabalhos abrangem os municípios do Huambo, Ecunha, Chinjenje, Ucuma, Longonjo, Chicala-Cholohanga, Londuimbali e Alto-Hama, garantindo que as obras já são visíveis no terreno.
O MPLA destacou ainda intervenções em diversos troços urbanos, incluindo os eixos Aeroporto–Rotunda do Palácio, Hospital Militar–São João e Cambiote, sublinhando que as empreitadas contribuem para melhorar a mobilidade e dinamizar a economia local.
Relativamente ao emprego, o partido afirmou que os investimentos públicos e o Programa Emergencial permitiram criar postos de trabalho, sobretudo nos municípios do Huambo, Caála e Bailundo.
O responsável acrescentou que decorrem concursos públicos para ingresso no regime geral da função pública e recordou que os ministérios da Saúde, Educação e Interior também promovem processos de recrutamento para reforçar os serviços públicos.
As declarações refletem a crescente disputa política em torno da execução do OGE e das prioridades de investimento na província do Huambo, numa altura em que os partidos intensificam o debate sobre desenvolvimento, infra-estruturas, emprego e serviços sociais.