Etiópia: Milhares manifestam-se contra alegado recrutamento forçado de civis – Correio da Kianda
Milhares de pessoas manifestaram-se em Adis Abeba, a capital da Etiópia, para denunciar o que consideram ser um recrutamento forçado de civis na região de Tigray, atribuído às forças ligadas à Frente de Libertação do Povo de Tigray (TPLF).
Segundo o africanews, os protestos acontecem num contexto de crescente tensão entre as autoridades regionais e o governo federal, alimentando receios de um novo conflito armado.
A organização Human Rights Watch (HRW) denunciou que autoridades de Tigray estão a recrutar à força homens, adolescentes e até crianças de 15 anos para integrar as forças locais.
Segundo a organização, agentes realizam buscas nocturnas de porta em porta, além de operações em escritórios, empresas e zonas de exploração mineira para capturar potenciais recrutas.
De acordo com a HRW, a campanha de recrutamento intensificou-se no final de Abril, com detenções em massa em ruas, mercados e minas de ouro, recorrendo ainda a informantes dos bairros para identificar jovens em idade de recrutamento. A organização Human Rights First-Ethiopia também afirma que o recrutamento militar forçado ocorre em grande parte da região.
As autoridades de Tigray têm apelado ao regresso de veteranos às fileiras e, em Junho, aprovaram uma proclamação que torna o serviço militar obrigatório. A TPLF, partido que domina a região, rejeita as acusações e garante que não recorre ao recrutamento forçado.
Tigray foi palco de uma guerra civil entre 2020 e 2022, conflito que provocou dezenas de milhares de mortes e uma grave crise humanitária. O recrudescimento das tensões reacende o receio de uma nova escalada de violência no norte da Etiópia.