Deputados do MPLA e UNITA divergem sobre legado de João Lourenço em debate sobre Estado da Nação – Correio da Kianda
A sétima edição da iniciativa da Oficina do Conhecimento, dedicada a debates académicos sobre a realidade angolana, abordou nesta terça-feira, 13, o tema “Estado da Nação”. O exercício de avaliação do país surge em véspera do último discurso sobre o Estado da Nação a ser proferido pelo Presidente da República, João Lourenço, na Assembleia Nacional.
Durante a sua abordagem, o deputado do MPLA, Nvunda Salucombo, afirmou que o Chefe de Estado deixa um país com paz social preservada e com as instituições a funcionar.
O parlamentar destacou as reformas económicas estruturais implementadas por João Lourenço, sublinhando que, embora não tenham correspondido totalmente às expectativas dos críticos, devem ser analisadas à luz da conjuntura económica global, fortemente impactada por choques externos, como a pandemia, a guerra na Ucrânia e a volatilidade do preço do petróleo.
Em reacção, o deputado da UNITA, Nelito Ekuikui, que discordou frontalmente desta visão, questionou o impacto real do crescimento económico anunciado pelo Executivo na vida concreta dos cidadãos e considerou que os angolanos empobreceram ao longo dos dois mandatos do actual Presidente.
Para Ekuikui, o discurso oficial sobre estabilidade macroeconómica não se reflecte no poder de compra das famílias, no desemprego juvenil e no custo de vida. O deputado teceu ainda duras críticas ao sistema de justiça, que, na sua perspectiva, continua a reboque do poder político.
Já o também deputado do MPLA, João Mpilamossi, destacou os esforços implementados por João Lourenço em vários sectores sociais, com realce para a construção de infra-estruturas escolares, hospitalares, centrais de produção de energia e o programa de combate à seca no sul do país. Para João Mpilamossi, não se pode medir o impacto das acções do Executivo apenas pela variável da empregabilidade.
Entretanto, o jornalista e analista José Gama que discorda da visão do parlamentar do MPLA, afirmou que mais pessoas ficaram empobrecidas nesta governação e considerou que o fosso entre ricos e pobres agravou-se.
Na sua análise, o Presidente da República deverá, no habitual discurso à Nação, apresentar o balanço da sua governação, que ficará marcado, segundo o jornalista, por uma promessa não cumprida: a não institucionalização das autarquias locais, uma das principais bandeiras políticas anunciadas no início do primeiro mandato em 2017.