AFC/M23 é dissolvida: Joseph Kabila assume comando da nova Frente para a Refundação da Nação – Correio da Kianda
O antigo Presidente da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, assumiu a liderança de uma nova plataforma político-militar denominada Frente para a Refundação da Nação (FRN), anunciada esta segunda-feira, 12 de Outubro, em Goma, no Leste da RDC.
A criação do novo movimento representa uma profunda reorganização das forças político-militares que actuam no Leste do país. Segundo a declaração apresentada em Goma, a nova estrutura sucede à Aliança do Rio Congo (AFC), enquanto responsáveis ligados ao movimento afirmam que a estrutura anteriormente conhecida como AFC/M23 foi dissolvida.
Joseph Kabila foi designado presidente do FRN, passando a assumir directamente a liderança política da nova plataforma, que reúne importantes figuras anteriormente associadas à AFC/M23.
Na estrutura de direcção anunciada, Bertrand Bisimwa foi designado primeiro vice-presidente, enquanto Corneille Nangaa, antigo coordenador da AFC, ocupa a segunda vice-presidência. O general-major Sultani Makenga, uma das principais figuras militares do M23, foi indicado como chefe do Estado-Maior da nova estrutura, com estatuto de vice-presidente.
Freddy Rukema Kaniki foi indicado para secretário-geral e coordenador do comité executivo, tendo Benjamin Mbonimpa como secretário-geral adjunto. Désiré Rukomera Rwigema foi designado secretário permanente do Colégio dos Fundadores.
A formação do FRN ocorre num momento particularmente delicado para a República Democrática do Congo, que continua a enfrentar uma grave crise de segurança no Leste, onde o conflito envolvendo o M23 provocou deslocações de populações e agravou as tensões regionais.
A nova configuração coloca Joseph Kabila numa posição mais directa no conflito. Durante meses, as autoridades congolesas acusaram o antigo Presidente de apoiar a rebelião da AFC/M23, acusações que Kabila anteriormente rejeitou. A Reuters considera a criação do FRN uma mudança significativa, por representar uma participação mais directa do antigo chefe de Estado numa insurgência que anteriormente não assumira publicamente.
A reorganização já vinha sendo antecipada. Um relatório do Grupo de Peritos das Nações Unidas sobre a RDC, datado de 11 de Junho de 2026, mencionava a possibilidade de uma profunda reestruturação da AFC/M23, incluindo uma mudança de nome e um papel de maior destaque para Joseph Kabila.
A declaração constitutiva do FRN afirma que o novo movimento pretende promover uma “refundação nacional” e apresenta-se como uma alternativa ao actual sistema político em Kinshasa. O documento também defende a coordenação das forças de resistência e admite o recurso à força, segundo informações divulgadas pela imprensa congolesa. Estas posições correspondem à declaração política dos signatários e não a uma avaliação independente.
A entrada formal de Joseph Kabila na liderança do novo movimento poderá alterar significativamente a configuração política e militar do conflito congolês, colocando no mesmo quadro uma antiga figura central da política nacional e dirigentes que estiveram ligados à AFC/M23.
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