“Antibióticos não devem ser usados para tratar gripes e resfriados”, alerta pediatra – Correio da Kianda
A médica pediatra Lucília Nzobalida alertou os pais para não administrarem antibióticos às crianças durante episódios de gripe, resfriado ou outras infecções sem orientação médica, uma vez que estes medicamentos não tratam infecções causadas por vírus.
O alerta foi feito durante o programa “Saúde em Sintonia”, da Rádio Correio da Kianda, que abordou o tema “O uso indiscriminado de antibióticos em crianças”.
Segundo a especialista, os antibióticos são medicamentos destinados ao combate de infecções provocadas por bactérias e a sua utilização deve ser feita apenas depois de uma avaliação médica.
Lucília Nzobalida explicou que, antes de administrar qualquer medicamento a uma criança, é necessário avaliar os sintomas, conhecer a história clínica e determinar a origem da infecção. Quando se confirma uma infecção bacteriana, cabe ao profissional de saúde definir o antibiótico adequado.
A pediatra destacou que, sobretudo nas crianças pequenas, muitas infecções são provocadas por vírus e podem melhorar com a resposta natural do organismo, não havendo necessidade de recorrer a antibióticos.
A especialista chamou particular atenção para medicamentos como Clavamox, Amoxicilina e Azitromicina, frequentemente utilizados pelos pais por iniciativa própria durante episódios de gripe e resfriado.
“Os pais dizem: ‘Dra., foi só eu dar o antibiótico e passou’. Pais, não foi a ação do antibiótico”, explicou a médica, esclarecendo que muitas vezes a melhoria ocorre devido à própria evolução da doença e à resposta do sistema imunitário da criança.
Lucília Nzobalida alertou que o uso excessivo e inadequado de antibióticos contribui para o desenvolvimento da resistência antimicrobiana, um problema que pode tornar algumas infecções cada vez mais difíceis de tratar.
A pediatra explicou igualmente que a febre, apesar de ser um dos sintomas que mais assusta os pais, não significa automaticamente que a criança tenha uma infecção bacteriana ou precise de antibióticos.
“A febre é boa. Quando eu tenho uma criança com febre, fico tranquila porque esta criança tem um sistema imunológico que funciona”, afirmou, descrevendo a febre como um mecanismo de defesa e um sinal de alerta do organismo.
A médica apelou, por isso, aos pais para evitarem a automedicação e procurarem orientação médica antes de administrar antibióticos aos filhos.
Durante a entrevista, a pediatra abordou ainda os cuidados com crianças que apresentam tosse, alertando para o uso de xaropes em bebés. Segundo Lucília Nzobalida, crianças com menos de um ano não devem receber xaropes para a tosse sem indicação médica.
A especialista recomendou medidas simples, como a limpeza adequada do nariz e a manutenção da amamentação nos bebés, e alertou contra a administração de mel a crianças com menos de um ano devido ao risco de botulismo infantil.
Para a pediatra, a prevenção do uso inadequado de antibióticos passa por uma mudança de comportamento dos pais, que devem evitar recorrer a medicamentos que tenham sobrado de tratamentos anteriores ou seguir recomendações de pessoas sem formação na área da saúde.
O apelo surge num contexto de crescente preocupação internacional com a resistência aos antibióticos, problema que pode comprometer a eficácia de medicamentos essenciais no tratamento de infecções bacterianas.