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Sociedade

INAMET diz não haver provas científicas de impacto do El Niño em Angola – Correio da Kianda

By Admin
September 4, 2026 3 Min Read
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O Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INAMET) afirma que não existem, até ao momento, provas científicas suficientes para demonstrar a influência ou o impacto do fenómeno El Niño à escala nacional em Angola.

A posição consta de um comunicado divulgado esta sexta-feira, 4, em resposta a informações que têm circulado em órgãos de comunicação social nacionais e estrangeiros e nas redes sociais sobre os possíveis efeitos do fenómeno climático no país.

O esclarecimento surge depois de uma reportagem do programa Jornal de África, da Rádio e Televisão de Portugal (RTP), emitida a 1 de Setembro, na qual um ambientalista associou o El Niño à possibilidade de aumento da precipitação, inundações, intensidade dos ventos e ocorrência de calemas em determinadas regiões de Angola.

Sem fazer uma avaliação específica sobre a declaração do ambientalista, o INAMET sustenta que não há, até ao momento, nenhum estudo científico nacional que comprove esses efeitos à escala de Angola.

O instituto reconhece, entretanto, que existem estudos realizados no contexto da África Austral que incluem Angola e apontam para alguma influência do El Niño na região.

A limitação, segundo o INAMET, está na necessidade de validar esses resultados com dados observados directamente nas estações meteorológicas da Rede Nacional. O instituto explica que os estudos referidos recorrem a dados de precipitação estimados por satélite, que precisam de ser confrontados com os registos das estações meteorológicas nacionais.

A ausência dessa validação, acrescenta, tem contribuído para o surgimento de especulações e afirmações sem fundamentação científica, com potencial para desinformar a população.

A posição agora divulgada deve ser lida em conjunto com a previsão anteriormente apresentada pelo próprio INAMET para a época chuvosa 2026/2027. Em Agosto, o instituto indicou que factores climáticos de grande escala, com destaque para o El Niño, poderiam influenciar a época chuvosa, prevendo-se possíveis chuvas irregulares no Sul de Angola, sobretudo entre Dezembro e Fevereiro.

O esclarecimento de 4 de Setembro introduz, contudo, uma distinção importante: uma previsão ou indicação de possível influência regional não significa que exista, neste momento, um estudo científico validado que demonstre o impacto do El Niño em todo o território angolano.

Para reduzir essas incertezas, o INAMET afirma estar a reforçar a capacidade nacional de observação meteorológica e investigação científica. A instituição dispõe actualmente de 82 estações meteorológicas e prevê instalar mais 131 no âmbito da segunda fase do Projecto de Modernização do INAMET.

Na área científica, o instituto diz contar com um Centro de Investigação Aplicada em Geociências Ambientais e Gestão de Riscos Naturais, além de investigadores especializados em Meteorologia.

O INAMET afirma ainda estar a desenvolver estudos sobre a influência do El Niño e de outros fenómenos de variabilidade climática em Angola, nomeadamente o Modo Meridional do Atlântico e o Dipolo do Oceano Índico.

Quanto à época chuvosa 2026/2027, o instituto esclarece que as previsões preliminares nacionais e as análises dos fóruns regionais de previsão climática não apontam, neste momento, para um cenário climático assustador em Angola.

A previsão sazonal oficial deverá ser divulgada pelo INAMET na segunda quinzena de Setembro.

Até lá, o instituto recomenda à população que acompanhe as previsões, avisos e alertas emitidos oficialmente pela entidade responsável pela observação meteorológica e climática no país.

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