UNITA REGRESSA AO UÍGE | Jornal Folha 8
O líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior, apelou hoje, no Uíge, para que não se repitam este fim-de-semana os confrontos entre polícia e militantes de 8 de Agosto, de que resultaram vários feridos.
A União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) regressou hoje ao Uíge, onde reúne, na sexta-feira, o Comité Permanente na preparação para as eleições gerais de 2027.
A caminho do local, o presidente do partido, Adalberto Costa Júnior publicou um vídeo nas redes sociais em que explica que este regresso é “para fazer o encerramento de uma jornada que ficou incompleta”, numa referência aos acontecimentos de 8 de Agosto.
A data ficou marcada pela violenta intervenção da polícia do MPLA (que deveria ser Nacional) que dispersou os militantes da UNITA reunidos num evento da juventude do partido, a JURA, e para uma homenagem ao fundador, Jonas Savimbi, que foi adiada.
“Não se despeçam de nós como fizeram no dia 9, não se despeçam de nós daquela maneira, não façam mais o que fizeram aqui durante aquele fim-de-semana”, apelou, num comício de rua, registado num vídeo divulgado, também, nas redes sociais do líder do partido.
Adalberto Costa Júnior lembrou que quando a comitiva da UNITA saiu do Uíge a 9 de Agosto, rejeitou o acompanhamento da polícia por considerar que “não era verdadeiro” depois dos acontecimentos do dia anterior.
“Um dia não nos podem agredir e no outro dia, vão-nos acompanhar de saída”, disse, acrescentando que hoje foram bem recebidos à chegada e apelando para que seja da mesma forma na saída, estando previsto o regresso a Luanda no sábado.
“Nós voltamos ao Uíge porque nós tínhamos mesmo que voltar ao Uíge, e nós não podíamos deixar passar muito tempo sem regressarmos”, continuou, sublinhando que a razão mais importante é fazer naquele local “a reafirmação do Estado Democrático de Direito”.
O líder da UNITA vincou que o Estado são todos os angolanos, “é uma entidade plural”.
“E nós tínhamos que vir aqui ao Uíge para dizer-vos que Angola, este país maravilhoso, esta diversidade, este conjunto de etnias ricas, de culturas ricas, tem também uma dimensão que o representa que é a pluralidade partidária, a multiplicidade de partidos, todos com direito de exercício público das suas funções, da sua representatividade e da obrigatoriedade do respeito por essa pluralidade”, afirmou.
Para o líder, a UNITA tinha que regressar para evitar fazer do caminho para as eleições de 2027, “um caminho de violência, de intolerância, de rejeição, de brutalidade”.
“Não é a nossa opção, nunca foi e nunca será”, declarou, garantindo que “a violência que aconteceu aqui no dia 8 de Agosto não teve a UNITA como participante”.
Adalberto Costa Júnior voltou a classificar esses acontecimentos de “violência completamente gratuita”.
Pelos menos 31 pessoas ficaram feridas, a 8 de Agosto, durante a intervenção da polícia junta à sede no Uíge, onde o partido acabou por cancelar uma cerimónia para assinalar o 92.º aniversário do fundador, Jonas Savimbi.
A UNITA apresentou queixas-crime contra o governador do Uíge e o comandante provincial da Polícia Nacional, enquanto aquela força de segurança acusou o partido de fazer uso político do incidente.
Menos de um mês depois, o Comité Permanente reúne-se sob o lema “Com Unidade e Inclusão, Realizar a Alternância do Poder em 2027, UNITA — a Esperança dos Angolanos” para analisa a situação política, social e económica do País, segundo divulgou o partido.
De acordo com a informação disponibilizada, a reunião, desta sexta-feira, servirá também para fazer o balanço do desempenho durante os meses de Junho, Julho e Agosto do partido, que tem como meta vencer o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder desde a independência, há mais de meio século.