Psicóloga defende mais diálogo sobre saúde mental para prevenir suicídios – Correio da Kianda
A psicóloga Alice Conga defendeu a necessidade de reforçar o diálogo sobre saúde mental nas famílias angolanas, como forma de identificar sinais de sofrimento psicológico e contribuir para a prevenção do suicídio.
A especialista falava durante a sua participação no programa “Saúde em Sintonia”, da Rádio Correio da Kianda, dedicado à consciencialização sobre o suicídio, ocasião em que revelou que Angola regista, segundo dados do Serviço de Investigação Criminal (SIC) por si citados, quatro mortes por suicídio por dia.
Alice Conga alertou, contudo, que os números podem não representar a dimensão real do fenómeno, uma vez que existem casos que não chegam ao conhecimento das autoridades.
Para a psicóloga, é fundamental que as famílias falem abertamente sobre saúde mental e suicídio, contrariando a ideia de que abordar o tema pode incentivar alguém a cometer o acto.
A especialista chamou igualmente atenção para a necessidade de procurar informação de fontes qualificadas, sobretudo nas redes sociais, onde pessoas sem formação adequada podem apresentar-se como psicólogos e transmitir informações capazes de agravar a situação de quem procura ajuda.
“A desinformação é mais perigosa, é mais prejudicial do que qualquer outra coisa”, afirmou.
A psicóloga considera que o autoconhecimento também desempenha um papel importante na prevenção, por permitir que cada pessoa reconheça alterações no seu comportamento e procure ajuda quando estas começam a provocar sofrimento.
Entre os sinais que devem merecer atenção, Alice Conga apontou alterações do sono, mudanças no apetite, isolamento, irritabilidade, redução da produtividade, pensamentos desordenados, sensação de vazio, perda de interesse e alterações da libido.
A especialista aconselhou ainda as pessoas que sentirem que algo não está bem a procurarem acompanhamento de um profissional de saúde mental, lembrando que manifestações psicológicas podem, muitas vezes, ser confundidas com problemas financeiros ou outras dificuldades do quotidiano.
Alice Conga defendeu, por isso, uma maior atenção à saúde mental dentro das famílias e a criação de espaços seguros de diálogo, para que as pessoas possam expressar o que sentem e receber ajuda antes que o sofrimento se agrave.